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Ao amigo de Deus


 Padre Thiago De Moliner Eufrásio

 

 

No tempo em que vivemos é um desafio cada vez maior deixar-se guiar por Deus. Pode parecer um pouco estranho iniciar assim, mas não é. Explico. Talvez alguém diga que esta palavra possa servir a quem diz não praticar a fé. Mas, preciso dizer que não. Ela vale também, ou melhor, sobretudo, para quem busca exercita-la. É um desafio diário,diante dos mecanismos e informações que vão alimentando em nós certa sensação de segurança e de autossuficiência. E aí mora o perigo. A carta aos Tessalonicenses, primeiro escrito do novo Testamento, lembra aos cristãos: “quando as pessoas disserem segurança e paz, então cairá a ruina sobre elas” (ITs 5,3). E é assim mesmo. Quando nos colocamos nesta postura, nos descuidamos e, não poucas vezes, somos pegos de surpresa.

 

Por vezes cresce uma vaidade tão soberba que até mesmo Deus se torna um instrumento para resolver os problemas que nós vamos criando ou nos envolvendo. Não que não devamos invoca-lo em nossas tribulações. Mas, por detrás delas não estará, muitas vezes, nosso descuido da fé? Afinal, nossa relação com Deus não é apenas para os momentos que nos vemos necessitados de um auxílio, o que é, tantas vezes, uma real confissão de quem viveu por si mesmo.

 

 

O livro de Neemias, no capítulo 8,narraà assembleia do povo de Deus quando, diante da Palavra do Senhor, puseram-se a ouvi-la, buscando compreender para aderir a ela. Aqui, se colocam três palavras fortes para quem deseja ter, na Palavra de Deus, o direcionamento da vida: ouvir, compreender e aderir. No evangelho de Lucas, endereçado a Teófilo (amigo de Deus), ele lembra que a Palavra de Deus confirma e solidifica a fé (Lc 1,3-4). E isto porque ela esta ligada ao exercícioe não apenas a uma busca desmedida por nossos caprichos pessoais. Neste mesmo trecho do evangelho, Jesus é apresentado como profeta, rei e sacerdote, aquele que é capaz de nos formar, nos conduzir e nos reconciliar com Deus. E, além disso, do que mais precisamos?

 

 

Nesta mesma direção, são Paulo nos lembra de que, pelo batismo somos inseridos em Cristo (ICor 12,13). Ele nos orienta, forma e reconcilia. Formamos com ele e entre nós um único corpo, pois recebemos um único e mesmo Espirito, o Espirito de Deus (ICor 12,14). E por conta desta verdade entendemos que, se nos deixamos conduzi por Deus, ele, em Cristo, nos tornará cada vez mais, sua imagem e semelhança (Gn 1,26-27). Então, descobriremos o sentido da vida: amar, afinal “Deus é amor” (IJo, 4,8). Somos membros de um único corpo. Isolados não vivemos, sendo totalitários sufocamos a vida, em comunhão somos cristãos e poderemos exclamar, a “alegria do Senhor é nossa força” (Nm 8,10).

 

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