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A PROFECIA CRISTÃ


Pe. Thiago De Moliner Eufrásio

 

Esta semana eu estava lendo um livro e encontrei uma frase que me fez refletir. Quero compartilhá-la contigo. Antes da referida frase, o autor questionava: “Quem tornará o homem capaz de amar? Quem o libertará do ciúme, da amargura e das dilacerações?”Recorrendo ao teólogo Gibran, ele responde (e esta é a frase): “Quando amares, não digas: tenho Deus no coração, mas antes: Estou no coração de Deus” Amamos quando nos descobrimos amados. É por isso que lemos na bíblia: “Nós amamos porque Deus nos amou primeiro” (IJo 4,19). Antes de qualquer desamor, Deu nos amou e isto nos torna capazes de amar. Fantástico!

 

 

Para o cristianismo, embora isto nem sempre transpareça, o caminho de perfeição é a caridade, ou seja, o amor em movimento. São Paulo apóstolo, em relação à caridade diz: “Vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior” (ICor 12,31). E mais adiante: a caridade “suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo” (ICor 13,7). Penso que agora você compreendeu o que Gibran instituiu, quando concluiu que é preciso estar no coração de Deus para amar.

 

 

Para percorrer este caminho espiritual que aos cristãos é apresentado, não há outro modo senão seguir os passos de Jesus, Mestre e Senhor. Em sua via de amor Ele foi admirado, invejado e menosprezado (cf. Lc 4, 21-23). Típicas situações que nos desanimam quando ousamos sair de nós mesmos para o exercício do amor. Mas, seguindo os passos de Jesus, qual foi sua atitude? Ele, permanecendo na fidelidade ao Amor, “passando pelo meio deles, continuou seu caminho” (Lc 4,30). Perante as contrariedades, é preciso prosseguir.

 

 

Que ânimo! Que força! Que segurança! Realmente, me deixo convencer que é preciso estar no coração de Deus. Sentir-se amado para amar além das adversidades. Aliás, é o que insistia o próprio Deus quando se dirigiu ao profeta Jeremias, que tinha uma forte tendência ao desânimo: “antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci, antes de saíres do seio de tua mãe eu te consagrei e te fiz profeta das nações” (Jr 1,5). Quero te convidar a ler novamente esta citação antes de prosseguirmos.

 

 

Agora sim. Tome para ti esta frase e sigamos em frente. Esta certeza, em Jeremias, fez dele um grande profeta num tempo marcado por grandes adversidades. Esta certeza deve nos fazer levantar e comunicar o amor aos que encontramos no dia-a-dia, pois amar é como a arte de um artesão – lentamente vai ganhando forma e revelando a beleza. Não será a caridade, a grande profecia dos nossos dias? Afinal, como diz são João da Cruz: “na tarde da vida seremos julgados pelo amor”.



[1] FORTE, Bruno. A teologia como companha, memória e profecia. São Paulo, Paulinas: 1991, p. 51.

[2] Idem.

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