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PÁSCOA E “PONTES” DE PAZ


Querido amigo, querida amiga. Feliz Páscoa! Mais uma vez celebramos a Páscoa e, nela a Ressurreição de Cristo que reconcilia tudo em sua cruz redentora. Sabe, a realidade do mundo em que estamos vivendo me faz pensar sobre o modo como acolhemos a proclamação pascal e o modo como os seres humanos buscam a paz.

 

A Semana Santa deste ano foi marcada por mais um atentado terrorista, desta vez em Bruxelas onde inúmeras pessoas foram surpreendidas por explosões no aeroporto Zaventem e no Metrô de Maelbeek. O domingo de Páscoa também foi marcado por ataques terroristas, desta vez no Pasquistão onde cristãos se reuniam para celebrar a Ressurreição de Cristo. Sobre estas situações, o papa Francisco disse, no último domingo, que são atos cegos e brutais e que a Páscoa é uma mensagem de vida para a humanidade.

 

No meio de toda está situação é urgente que se acendam luzeiros de esperança. O ser humano parece, por vezes, estar perdendo sua capacidade de conviver com as diferenças e busca resolvê-las cada vez mais com radicalismos e exclusões. Qual o caminho para a paz e a verdadeira concórdia não como intolerância, mas como reconciliação? Como vencer a intolerância, promovendo a fraternidade proposta por Jesus?

 

Em Jesus temos um convite de fraternidade. Em seu apelo, “que todos sejam um” (Jo 17, 21) não acredito que Ele tenha pensado de modo unilateral, mas que tenha desejado o diálogo, a reciprocidade e o acolhimento. A vida cristã se fundamenta na dinâmica da Trindade, uma comunhão perfeita de pessoas diferentes. Nela, o ser humano descobre o que significa ser imagem e semelhança de Deus – a potencialidade de uma fraternidade universal. Exclusivismos são sempre excludentes. E isto não significa perder a identidade e o específico das diferentes tradições, mas sim que podemos conviver como uma grande família onde a diferença enriquece.

 

Acredito que a primeira coisa a fazer é acordar para a realidade e perceber que este desafio não está longe de nós. Tenho a impressão que muitos brasileiros se acomodaram na ideia de que somos um povo pacífico e acolhedor. Será? As estatísticas de agressões, homicídios, desrespeitos e intolerância me faz desconfiar deste que é quase um mito brasileiro. Além disso, é preciso despertar para a necessidade de fazermos, entre nós, caminhos de paz e reconciliação.

 

Por exemplo, os cristãos de Bruxelas despois do atentado na Semana Santa se propuseram ao que chamam time out, um minuto de recolhimento e silêncio pela paz onde se reúnem igrejas e religiões diferentes todos os dias ao meio-dia. Ou então, o festival espaço aberto realizado na Hungria por cristãos de diversas igrejas para expressar o valor da dignidade humana como vínculo de paz.

 

Gostaria de descrever exemplos de nossa cidade e de nossa região. Convido você, caro leitor e leitora para abrirmos espaço e dialogar sobre nossa realidade. Que caminhos de paz e reconciliação podemos abrir? Que pontes podemos construir para nos encontrarmos? É possível dialogar sem ser proselitista, pois a fraternidade humana é possível. Esta é minha esperança. 

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