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A Palavra de Deus e a história do seu povo


CONHECENDO A NOSSA FÉ

 

MÊS DA BÍBLIA, A PALAVRA DE DEUS E A HISTÓRIA DO SEU POVO

 

Pe. Thiago De Moliner Eufrásio

 

Caro irmão e irmã em Cristo, corações ao alto! Neste mês de setembro nossa Igreja celebra o mês da Bíblia. Tenho a impressão que para muitos católicos esta data passa um tanto despercebida. Nossos irmãos evangélicos a celebram no mês de novembro, sabia? Mas, porque nós católicos celebramos o mês da Bíblia em setembro? Sabes dizer? Vamos lá... conhecendo a nossa fé. Em setembro se comemora, dia 30, o dia de são Jerônimo.

No Missal Romano, aquele livro que fica sobre o altar durante a missa, traz um resumo da história deste santo. Lá lemos assim: “Jerônimo (nasceu em Stridone na Dalmácia ano 342 – morreu em Belém ano 420), possuidor de vastíssima cultura literária e bíblica, pôs seus talentos ao serviço do Papa Dâmaso. Viveu os últimos 35 anos em Belém na oração, na penitência, na direção de cenáculos de vida ascética e monástica. Consciente de que não conhecer as Escrituras é desconhecer a Cristo, dedicou-se à tradução da Bíblia a partir dos textos originais, e à revisão da antiga versão latina. Os textos por ele elaborados (Vulgata) entraram no uso litúrgico da Igreja Latina. Seu sepultamento aos 30 de setembro é lembrado nas “Crônicas” de Próspero de Aquitânia e no martirológiojeronimiano (Sec. VI)” (Missal Romano, pg. 666-667). Quer dizer, sem Jerônimo, sem a igreja Católica, ninguém hoje teria acesso as Escrituras, nem mesmo as outras igrejas cristãs. Essa, certamente, é uma grande colaboração que nossa Igreja deu a todo o mundo.

Muitas pessoas pensam que todas as bíblias são iguais. Isso não é verdade. A Bíblia católica possui 73 livros (46 no antigo testamento e 27 no novo testamento), a Bíblia protestante possui apenas 66 livros. Na Bíblia destes não há os seguintes livros: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruch, Macabeus 1 e 2 e trecho de Ester (10,4-16,24) e Daniel (3,24-90; 13-14). Então, confira sua Bíblia, se estes livros não estiverem lá, é porque ela não é católica. E porque isso? Porque estes livros foram escritos em grego e os protestantes consideram apenas os escritos em hebraico. Faz diferença? Sim. Por exemplo: a passagem bíblica que fala sobre o purgatório está em Macabeus. Então, é claro que para um cristão não-católico não vai ser possível acreditar nisso nem mesmo na oração pelos mortos (Confira: 2Mac 12, 38-45).

Existe um texto bíblico, no início da carta aos Hebreus que me parece resumir bem o percurso de toda a Bíblia: “Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora aos nossos Pais pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos” (Hb 1,1-2). A Bíblia é o registro histórico daquilo que Deus foi comunicando ao seu povo. Mas é também a história de um povo que, aos poucos, foi compreendendo os desígnios de Deus. Há na Bíblia, a Palavra inspirada de Deus e a história vivida pelo seu povo. Por isso para lê-la é preciso de certa instrução (Confira: João 14, 23-26). O momento alto da Palavra de Deus, como diz este trecho da carta aos Hebreus, é quando Deus mesmo vem nos falar em Jesus Cristo.

Em Jesus encontramos o resumo de toda Bíblia, quando diz: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: amaras o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22,37-40). Até podemos não conhecer toda a Bíblia, mas o Senhor nos garante que com esses dois mandamentos fazemos a vontade de Deus.

Assim se lê no início do Evangelho de Marcos: “Depois que João foi preso, veio Jesus para a Galileia proclamando o Evangelho de Deus: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,14-15). É, portanto, o acolhimento do anúncio de Jesus, tal qual Palavra viva e eficaz que conduz ao seu Reino do qual somos chamados a fazer parte. Assim ensina a Igreja no Catecismo: “Este reino manifesta-se lucidamente aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo. Acolher a palavra de Jesus é acolher o próprio Reino” (CIC 764). Nisto vamos percebendo que, o grande objetivo da autocomunicação de Deus, é nos fazer participar de sua vida.

Caros filhos e filhas da Igreja, acolhendo a Palavra de Deus entramos numa dinâmica que vai dando sentido à vida. É esta palavra de vida e salvação que vai alimentando a fé no coração humano. E para além do individualismo ela vai também gerando comunhão entre os que creem para que “todos sejam um” (Jo 17,21). Te convido a pegar tua bíblia e ler, para finalizarmos nossa conversa, o seguinte texto: 2Timóteo 3, 14-17.

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