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A encarnação do Verbo


                  Deus Trindade, em um ato de superabundância de amor, criou o homem à sua imagem e semelhança, convidando-o à comunhão e à amizade com Ele. Mas nossos primeiros pais cometeram o pecado original, rompendo com Deus, consigo mesmos, com os demais e com o mundo criado. Sabemos e experimentamos que esta situação de ruptura se estendeu a toda a humanidade. Mas Deus infinitamente misericordioso não abandonou a humanidade ao poder da morte, mas prometeu, depois do pecado, a esperança da reconciliação (Gn 3,15).

Após preparar o povo eleito ao longo dos séculos, “quando chegou a plenitude dos tempos, enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a Lei” (Gl 4,4). O Menino Jesus nasce de Maria Virgem por nós os homens e por nossa salvação. “E a Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14).

Como acontece este nascimento? A Segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Filho de Deus, “esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condição de servo tomando a semelhança humana” (Fl 2,7).O Verbo não deixa de ser Deus ao assumir a humanidade. Este é o mistério da Encarnação: Deus, sem perder nada de sua divindade, se faz verdadeiro homem! E se faz verdadeiro homem para ensinar-nos a ser pessoas humanas.

Chama-se Encarnação ao “fato de o Filho de Deus ter assumido uma natureza humana para realizar nela a nossa salvação” (CIC 461). Este acontecimento é o que mudou para sempre a história da humanidade: Deus se fez homem.

O Senhor Jesus é verdadeiro Deus, e por isso realiza milagres, ensina com autoridade, nos revela o Pai, e sobretudo, morre e Ressuscita ao terceiro dia. O Senhor Jesus também é verdadeiro homem, “provado em tudo como nós, com exceção no pecado” (Hb 4,15). Isso significa que assume nossa natureza humana: vive, sente, ama, como nós o fazemos. E ao assumir nossa humanidade, nos eleva, aproximando-nos mais a Deus.

Por que o Verbo se fez homem? O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que o Verbo de Deus se encarnou por distintas e importantes razões, que formam uma unidade: “O Verbo se fez carne para salvar-nos reconciliando-nos com Deus” (CI C, 457). Pois a humanidade tinha necessidade da salvação e da reconciliação, por causa do pecado, Cristo se encarnou e assim, mediante sua morte e Ressurreição, fomos “libertados do pecado” (Rm 6,15). “O Verbo se fez carne para que assim conhecêssemos o amor de Deus” (CIC, 458). O amor de Deus por nós é tão grande que não se limitou ao fato de nos criar, mas  “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna (Jo 3,16). “O Verbo se fez carne para ser nosso modelo de santidade” (CIC, 459), sendo agora o modelo perfeito de humanidade, ensinando-nos, com suas palavras e obras, como cada um deve viver sua vida em plenitude.

O Verbo se fez carne para tornar-nos “participantes da natureza divina” (2Pd 1,4; CIC 460). Deus, ao fazer-se homem, nos fez filhos de Deus. Já não somos criaturas, mas temos dignidade de filhos. Já não somos separados de Deus pelo pecado, mas voltamos a estar convidados à comunhão com Deus, e podemos chamá-lO Pai.

A preparação para o Natal: todos os anos celebramos o Natal e nos preparamos para ele. Arrumamos nossos lares, colégios e escritórios com adornos, preparamos o presépio, ceiamos com nossa família e amigos, escutamos e cantamos cantigas natalinas.

A Igreja, além de tudo isso, propõe-nos o tempo do Advento como a época prévia ao Natal. São quatro semanas onde preparamos nossos corações para celebrar o nascimento do Menino Jesus. Junto com toda a Igreja, vivamos o Advento, meditando semana a semana, nos exemplos de João Batista e Maria, figuras que aparecem neste tempo de preparação! Vivamos em Espírito de esperança, de expectativa pela vinda do Messias Salvador, para que depois cantemos com todo o coração, junto com os anjos: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que Ele ama” (Lc 2,14). Primeiramente, temos que rezar pedindo a Deus a virtude da esperança, e também temos de esforçar-nos por crescer nela. A esperança se exercita diariamente, tendo uma visão realista e autêntica da realidade, sem cair em exageros negativos e daninhos para si e para os demais. Também se vive a esperança quando aprendemos a valorizar o que se passa conosco no cotidiano, os momentos de bênção que temos diariamente.

“Não temais! Eis que eu vos anuncio uma grande alegria” (Lc 2,10). O tempo de Advento e Natal é propício para viver a alegria, a verdadeira alegria cristã, virtude própria do cristão que peregrina por este mundo. São Paulo nos exorta: “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: alegrai-vos” (Fl 4,4), pois o Senhor é a verdadeira causa de nossa alegria. A alegria que vivemos está marcada pela experiência de proximidade a Deus, e brota do encontro com Ele, onde aprendemos a expressar esta alegria de diversas maneiras: na ação de graças ao longo do dia, em nossa oração, no apostolado cotidiano, sendo solidários com os mais necessitados, dando-lhes nosso tempo, paciência e bens, também cantando cantigas natalinas e adornando nossas casas.

Santa Maria, Mãe de Deus: a presença de Santa Maria na obra da Encarnação do Verbo é fundamental. O Sim de Maria na Anunciação permitiu que Deus se encarnasse, sendo concebido milagrosamente em seu seio virginal. Durante o Advento, a Igreja medita sobre o chamado e a resposta generosa de Maria, e o que a faz ser “verdadeiramente Mãe de Deus” (CIC, 495).

 

Feliz e santo Natal!

“Deixemo-nos guiar pela Luz do Senhor’ (Is 2,5)

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